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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Resenha - A Guerra dos Tronos


 A Game Of Thrones ( A Guerra dos Tronos) é o primeiro livro da série A Song Of Ice And Fire (traduzida em português para As Crônicas de Gelo e Fogo) escrita por George R.R. Martin, que alcançara sucesso explosivo com seus livros, principalmente depois de terem se tornado uma série de televisão. Eu li a edição brasileira lançada pela editora LEYA. Ressalto que não falarei sobre acontecimentos que comprometam os futuros leitores.
Parte da história se passa em Westeros, um imenso continente dividido entre norte e sul. No extremo norte situa-se a Muralha, a barreira que protege o mundo dos homens das criaturas há muito esquecidas - no atual momento, as criaturas de para-lá-da-muralha são apenas histórias contadas para assustar crianças. No sul há Porto Real, a cidade principal dos Sete Reinos, onde está localizado o Trono do Ferro - uma cadeira grotesca fabricada com as espadas dos inimigos mortos.
Com muitos paralelos, sendo sua divisão organizada por vários personagens, cujos pensamentos são revelados enquanto eles entram e vivem em suas próprias tramas, o livro trabalha numa forma inteligente de manter o leitor cativado e ansioso pelo que vai acontecer.
A história começa com irmãos da Patrulha da Noite, a irmandade responsável pela guarnição da Muralha, cujos votos são perpétuos e quebrá-los significa serem punidos com a morte. O capítulo é breve, e os irmãos parecem encontrar o inimigo, mas os inimigos os encontram primeiro. Criaturas os atacam na floresta coberta de neve, e apenas um deles sobrevive, e foge loucamente em direção ao sul.
Depois somos apresentados à Casa Stark, os protetores do Norte, sendo Eddard Stark o Senhor de Winterfell. Eddard tem seis filhos: Rickon, Bran, Arya, Sansa, Robb e John Snow, sendo este último filho bastardo, e os demais filhos de sua esposa Catelyn da Casa Tully. Rickon é muito novo; Bran é esperto e gosta de escalar as muralhas do castelo; Arya é chamada de Arya Cara de Cavalo, por não gostar dos deveres femininos e ter mais gosto por coisas consideradas masculinas; Sansa é a perfeita princesa, dedicada ao aprendizado de dama e sonha com o dia de encontrar seu príncipe prometido; Robb é o filho mais velho, já com idade suficiente para aprender os deveres de homem, já que será sucessor de seu pai; John Snow é o bastardo, por quem Catelyn evidentemente reserva sentimentos ruins, e não era de se esperar menos.
Eddard Stark está em plena cerimônia de execução de morte, onde empunha sua espada de aço valiriano chamada Gelo para dar fim a um desertor da Patrulha da Noite - que descobrimos ser o sobrevivente do ataque das criaturas no primeiro capítulo. Ele parece estar louco, e não há saída para ele a não ser a morte. Assim Ned (Eddard) o executa. Ned é muito honrado e preza pelo dever. Seu filho Bran assiste à execução, para começar a aprender os significados do dever e da morte.
O Norte é um lugar cruel e frio, e somente os Stark e seus vassalos o habitam em meio às florestas negras infestadas de lobos. O lobo é o símbolo dos Stark, e logo uma coisa curiosa acontece: durante o percurso de retorno a Winterfell após a execução, John Snow vê alguma coisa sob a neve, e eis que lá encontram uma loba gigante morta, com graves ferimentos, e em seu ventre cinco filhotes aconchegam-se do frio. Todos estão vivos, e a ideia de executá-los como ato de misericórdia surge, mas John Snow convence seu pai de que o lobo gigante - animal raro naqueles tempos - era o símbolo de sua Casa, então deveria presentear seus filhos com eles. O pai intrigado pergunta por que ele não quis nenhum lobo, afinal eram cinco filhotes para seis filhos contando com ele, mas John argumenta de que apenas os filhos legítimos deveriam tê-los. Entretanto percebe-se outro movimento, e lá está outro filhote que passara despercebido por ser albino, e John Snow fica com ele.
Descobre-se que Robert Baratheon, o Senhor dos Sete Reinos, deslocou-se do Trono do Ferro em Porto Real em direção a Winterfell, para visitar Eddard Stark. Nos Sete Reinos há todo um costume e cortesias para convidados, ainda mais se este for o Rei. Os Stark preparam-se para recebê-lo. A visita de um Rei nunca é de todo uma visita; o homem certamente deseja alguma coisa do Norte.
A Casa Stark começa a espalhar seus membros.
Catelyn conta a Ned que John Arryn - que era como um pai para ele -, a Mão do Rei Robert, havia falecido. Quando a expedição do Rei finalmente chega, temos todos os cenários medievais em ação: banquetes, bebidas, cortesias polidas e poder de títulos. Ned é surpreendido ao ser convidado por Robert, que também era seu velho companheiro de batalha, para ser a nova Mão do Rei. 
E assim, relutante, Eddard Stark parte em rumo do dever e honra a Porto Real, levando Sansa - prometida ao príncipe Joffrey, filho de Robert Baratheon e da Rainha Cersei -  e Arya Stark com ele, juntamente com sua própria companhia de homens.
John Snow é assombrado pelos próprios pensamentos, indagando-se sobre o destino de um bastardo como ele. Acaba decidindo ir para a Muralha, fazer o juramento da Patrulha da Noite e passar o restante de sua vida servindo.
Enquanto isso, do outro lado do mar, longe de Westeros, somos apresentados aos últimos sobreviventes da Casa Targaryen: Viserys Targaryen e Daenerys Targaryen. Antes de tudo começar, os Targaryen dominavam os Sete Reinos, e seu trágico fim fora dado por Robert Baratheon, durante a Rebelião, que assassinou o último Rei Targaryen com seu grande martelo de guerra, apossando-se do Trono do Ferro. Viserys criou sua irmã Daenerys instruindo-na acerca de Westeros, que ele almejava um dia possuir novamente. Robert, O Usurpador, Viserys o chama. Ambos os Targaryen estão sob os cuidados do Magíster Illyrio Mopatis, que está prestes a vender Daenerys ao senhor dos cavalos dothraki Khal Drogo, em troca de um exército para Viserys. 
Os dothraki possuem uma cultura distinta, e não usam dinheiro, e sim dão e recebem presentes. Um khal é um lider de um khalasar, e um khalasar só segue um khal forte e destemido, capaz de montar um garanhão até a morte.
Em Porto Real há mestres munidos de armadilhas mortais, verdadeiros sobreviventes do jogo dos tronos. A desconfiança é como um cheiro podre e inevitável, e Ned logo aprende isso da maneira mais cruel possível. A irmã de Catelyn, esposa de John Arryn, escrevera numa carta sobre a desconfiança de envenenamento, e pedira a Ned para descobrir tudo que pudesse.
Os Lannister de Rochedo Casterly são outra das Grandes Casas, que é inclusive a mais rica. Somos apresentados ao anão Tyrion Lannister, personagem intrigante e carismático que possui dois irmãos: os gêmeos Cersei Lannister, esposa de Robert Baratheon, e Jaime Lannister.
E isso é apenas o começo da incrível história fantástica de As Crônicas de Gelo e Fogo, com toda sua riqueza original em cada linha, em cada detalhe. Os personagens são tão humanos e imprevisíveis que fica difícil palpitar alguma coisa, e os acontecimentos paralelos são tantos que é fácil se perder no começo. O sexo é um tema quase indispensável entre as páginas, já que se trata de uma era onde selar casamentos pode salvar famílias e a prostituição existe em cada taberna. O Jogo dos Tronos é o mais perigoso de todos, e você irá descobrir em cada novo momento. Boa leitura!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Resenha - O Pistoleiro






O Pistoleiro (The Gunsliger) é um livro do famoso Stephen King, e trata-se da primeira história sobre a sucessiva série de livros que compuseram A Torre Negra. A série demorou décadas para ser finalizada, contando com incríveis 7 livros totalizando 4.000 páginas, e fora que saiu mais um livro recentemente lançado no Brasil, chamado O Vento Pela Fechadura.
Li o livro da coleção completa da edição de bolso, lançada pela Ponto de Leitura, selo da Objetiva, e para não comprometer os futuros leitores da série, abordarei os acontecimentos sucintamente. 
O Pistoleiro narra as aventuras de Roland Deschain no mundo devastado onde habita - o mundo que seguiu adiante, diz Roland. Trata-se de uma obra de ficção científica, que o próprio escritor relata ter buscado inspiração na obra fantástica de J.R.R. Tolkien e no poema "Childe Roland À Torre Negra Chegou", de Robert Browning. É incrível como o substantivo pistoleiro é capaz de nos dar a definição física completa de um sujeito emergido diretamente dos faroestes americanos - e se tratando de Roland, toda história acaba caindo em cenas estilo faroeste.
"O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás." - é a primeira frase do livro, e esteja certo de que nunca mais esquecerá.
O homem de preto é o mistério do livro. É justamente quem Roland persegue através do deserto, seguindo pistas discretas, como por exemplo as marcas de fogueira deixadas para trás. O objetivo da vida do pistoleiro - e sua obsessão - é chegar à Torre Negra, e o homem de preto parece ser uma chave, um passo necessário para concluir este objetivo. A narrativa mescla entre o que está acontecendo ao pistoleiro no presente com lapsos de sua própria memória, retornando ao passado e revelando mais da sua longa vida de peregrinação através de um mundo mutante e adoecido.
O pistoleiro é um homem duro, sendo a classe dos Pistoleiros renomada no mundo dele, e aparentemente Roland é o único que sobrara. Apertando os gatilhos de seus revólveres com cabos de sândalo à velocidade da luz, será difícil até para o mais brutal inimigo encurralá-lo.
O que você encontrará no livro? Bem, eu encontrei suspense, excitação, adrenalina, reflexão e crítica - em cenas de sexo, morte, ação e certo misticismo que parece emanar de cada página, do cada pouco a mais que descobrirmos acerca da Torre Negra. Porém o livro deixa algumas coisas vagas demais, como a cisma pelo número 19 - descobre-se que falar tal número pode ser fatal, só não o por quê - plantada em nossa cabeça como uma coceira causada pela mordida de um inseto. Acredito que os fragmentos serão juntados nos livros posteriores. 
Toda obra ficção é de grande valia, pois com ela aguçamos nossa capacidade de analisarmos situações e consequências encaradas no dia-a-dia. Defendo que a ficção e a fantasia são faces da mesma moeda, e uma mensagem certeira ambas nos trazem: a imaginação é o limite; esteja pronto para qualquer coisa. A leitura é por si só um bem total ao leitor, melhorando sua linha cognitiva e  relação social, sem falar no aprimoramento da habilidade de concentração e pensamento contínuo e coerente.
Esse é o livro mais curto da série, então prepare-se para uma verdade enciclopédia! Mas não se assuste, a escrita do Stephen King é fluente e de leitura rápida, e as aventuras do Pistoleiro irão chegar à sua mente como uma bala de raspão. Boa leitura!